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26 min. de leituraTrabalhe 4 horas por semana: Resumo comentado por um Nômade

30 de outubro de 2019 24 min. de leitura

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26 min. de leituraTrabalhe 4 horas por semana: Resumo comentado por um Nômade

Tempo de leitura 24 minutos

Muita gente conhece o Tim Ferris pelo livro Trabalhe 4 horas por semana e ele mesmo admite que foi a obra que mudou a vida dele. Mesmo rejeitado por 26 editores e com vários indícios para o fracasso, Tim escreveu esse livro mesmo assim, como se fosse uma carta para dois amigos e até hoje ele não sabe explicar muito bem o sucesso do livro.

“Trabalhe 4 horas por semana se tornou bestseller da New York Times cinco dias depois de ser lançado.”

Eu sempre fui MUITO resistente a métodos, mas com o tempo entendi que todo conhecimento é válido se você tentar adaptar a realidade do que foi escrito a você e testar por conta própria – e foi o que fiz.

A minha ideia aqui é fazer um resumo do Trabalhe 4 horas por semana e, ao mesmo tempo, pontuar meus comentários das coisas que funcionaram e não para mim, adaptando alguns conhecimentos do livro para a realidade brasileira. 

Para você que caiu de paraquedas aqui, esse livro é quase uma autobiografia do Timothy Ferris com várias indicações de como trabalhar menos e ganhar mais. O título do livro pode até aparecer uma dessas capas clickbait, mas para mim é quase que uma crítica a cultura americana de colocar o trabalho em primeiro lugar.

Vou ficar muito feliz se a gente puder continuar essa discussão nos comentários.

Dica de leitura: Esse resumo está dividido pelos capítulos do livro, na mesma ordem. Não coloquei todos os capítulos, porque alguns são só histórias para exemplificar um ponto e o resumo ficaria mínimo, e talvez não tão claro.

Mas não se preocupe, os capítulos suprimidos são abordados dentro de outros capítulos que estão no resumo. Não precisa ler esse texto numa tacada só e nem só uma vez.

Salve nos favoritos para voltar a ler ou reler quando preciso, ou quando tiver vontade. Eu escrevi esse resumo para recuperar alguns conceitos e não precisar reler o livro. Você pode fazer isso também, ou usar como um guia de leitura do livro ou uma preparação para lê-lo – ver se realmente vale a pena. 

Antes de mais nada 

No primeiro capítulo do livro Tim Ferris responde os principais questionamentos que surgem na cabeça do leitor ao ler o título Trabalhe 4 horas por semana

Perguntas como “Tenho que sair do meu emprego?” “Preciso ser um jovem solteiro?” “É necessário ter nascido rico?” “Faculdade de ponta?”

A resposta é não para todas as perguntas e Tim Ferris dá um exemplo claro de que faculdades de ponta tem como objetivo encaminhar os formandos para o mercado de trabalho padrão de 80 horas semanais, com altos salários e longos 30 anos de trabalho exaustivo. 

A proposta dele é totalmente outra, no decorrer do livro ele ensina técnicas para ganhar mais dinheiro, ter miniaposentadorias, economizar o seu tempo e reduzir o seu trabalho em 50%.

Quando começa a contar sua história de vida Tim Ferris deixa claro que também sofreu do mesmo mal da maioria dos trabalhadores, até cair em si e decidir se tornar um Novo Rico. Era um workaholic com um trabalho exaustivo e extremamente infeliz. 

Comigo não foi (e sendo sincero, não é) diferente. Comecei a minha carreira formal como Jovem Aprendiz aos 14 anos com o compromisso de 4 horas por dia e fazia 6. Depois como estagiário aos 18, compromisso de 4 fazendo 6, 8 horas. Depois como CLT, compromisso de 8, fazendo 10, 12 horas. 

A ideia de que trabalhar mais me traria mais oportunidades, ou a ideia de sacrificar minha saúde pelo trabalho me faria mais rico ou aceitável na sociedade era regra no passado, hoje ainda é forte em mim e trabalho muito para entender que trabalho não é igual a produtividade. Leia produtividade como geração de valor – fazer algo que alguém pagaria para ter. 

“Qual é a grande vantagem que justifica passar os melhores anos de sua vida esperando ser feliz ao final dela?”

O que o Tim busca neste livro não é ensinar a economizar dinheiro para ficar rico, e muito menos um tipo de anarquismo moderno onde você abandona tudo e vai ser feliz para sempre.

Nas palavras do próprio autor “o objetivo é diversão e lucro”. E eu gosto dessa ideia (quem não gosta?). Mas isso não é tão simples assim. 

Voltando para o resumo:

O livro se divide em quatro etapas principais:

D de Definição – onde é possível visualizar seus objetivos, entender quem são os Novos Ricos e definir o seu Projeto de Vida. 

E de Eliminação – para você aprender a gerenciar o seu tempo e eliminar tarefas desnecessárias da sua vida.

A de Automação – técnicas para ser um Novo Rico bem sucedido usando os serviços de automação e terceirização ao seu favor.

L de Libertação – aqui é possível aprender de fato o que são as miniaposentadorias, dicas e informações úteis para uma vida móvel.

Cronologia de uma Patologia

Nessa parte Tim Ferris comenta sobre suas experiências de vida que vão muito além de ser um palestrante convidado na Universidade de Princeton ou um linguista aplicado em japonês, chinês, alemão e espanhol.

As doideras dele vão desde dançarino de break da MTV de Taiwan, passando por mergulhador, até apresentador de TV na Tailândia e na China. 

Não me comparo ao Tim Ferris, até porque ele é insano – e não espero ser ele algum dia. Mas me identifico com as bizarrices que ele faz por causa dessa inquietude de não querer sentar em apenas em uma cadeira nesse mundo de possibilidades. 

Sou meio músico, meio poeta, especialista em marketing digital, jogador de vôlei, também compartilho de conquistas nada louváveis como ser DJ em uma festa na Geórgia, uma Jam Session em Saint Petersburg e uma palestra em um evento de finanças.

Acho que muitos nômades se identificam com esse perfil “curioso e inquieto”. Cada um tem um modo de experimentar isso: seja saindo da zona de conforto, só observando ou vivendo (experienciando a longo-prazo). Eu faço os três, mas o primeiro é o que mais me encanta.

Momento louve um brazuca: mesmo Tim Ferris sendo tão multifacetado, ele não chega aos pés do nosso rei do rolê aleatório: Ronaldinho Gaúcho.

D de Definição

Se por um lado existem os Novos Ricos focados em uma vida com mobilidade e tempo, existem também o que Tim Ferris denomina no livro como Adiadores, que são aqueles que trabalham muito e economizam para ter uma vida plena na aposentadoria.

“Os Novos Ricos podem ser separados da multidão com base em seus objetivos, que refletem prioridades e filosofias bem distintas”

Existem diferenças sutis que diferenciam os Adiadores dos Novos Ricos e é possível perceber isso em pequenos enunciados sobre os seus objetivos.

Adiadores: Trabalhar para si mesmo.

Novos Ricos: Fazer outras pessoas trabalharem para você.

Adiadores: Trabalhar quando você quer.

Novos Ricos: Fazer o menor esforço necessário para o maior efeito.

De forma simples e às vezes até óbvia, Ferris mostra que a busca incessante por dinheiro não é nem de longe a melhor forma para alcançar os objetivos na vida.

“Se você libertar-se das amarras de tempo e de geografia, seu dinheiro automaticamente passa a valer 3 a 10 vezes”

Um bom exemplo dado no livro é que a quantidade de Q’s que você controla na vida pode fazer o seu dinheiro valer mais ou menos: o que você faz, quando você faz, em que lugar você faz e com quem você faz.

Eu tenho meu exemplo, onde passei a ganhar 6 vezes mais do que no meu trabalho anterior. Só o fato de você viver uma vida mais feliz, onde você escolhe o horário que trabalha e entende que as entregas dependem só de você adiciona um tempero a pressão diária que te ajuda a ser mais produtivo. 

Pra mim, três elementos foram essenciais para aumentar minha produtividade:

  1. Tempo para aproveitar o mundo lá fora: eu não queria passar mais 12 horas trabalhando porque eu tenho um lugar desconhecido para a ser descoberto lá fora, isso fez com que eu mesmo apertasse as minhas deadlines para ter mais tempo para mim. 
  2. Estabilidade financeira para não largar essa vida: Entregar não é o suficiente, é preciso ter uma rotina saudável e fazer tarefas que geram valor para o cliente. Isso me ajudou a pensar a longo-prazo e estruturar o negócio não apenas para me dar dinheiro agora, mas para construir um relacionamento de confiança com os meus clientes. 
  3. Tempo e dinheiro para os meus projetos paralelos: essa é a parte mais difícil, porque isso não tem haver com manutenção, mas com construção de uma vida nova. É mais desafiador, mas motivante ao mesmo tempo. Aqui eu comecei a investir mais tempo e dinheiro nos projetos paralelos que estou tocando, como o nomadesbr.com (uma comunidade de nômades), o meu próprio blog e outros projetos que estão tomando forma e logo vou falar sobre. 

Regras que mudam as regras

O objetivo é entender as regras e usar as brechas ao seu favor, ninguém consegue melhores resultados usando as mesmas ferramentas, para conseguir algo diferente é necessário pensar de forma diferente. 

“O diferente é melhor quando é mais eficiente ou mais divertido”

Existem regras básicas que os Novos Ricos seguem e que são indicadas por Tim Ferris em Trabalhe 4 horas por semana.

  1. Aposentadoria é o seguro para o caso de acontecer a pior das hipóteses.
  2. A aposentadoria não deve jamais ser o foco principal da sua vida, ele deve servir como uma garantia para caso haja alguma emergência. 
  3. “A aposentadoria como objetivo ou como redenção final [aquele um dia vou aproveitar a vida] é um equívoco”

1. Interesse e energia são cíclicos.

A nossa capacidade intelectual é algo cíclico, assim como nosso interesse em diversos assuntos (inclusive o trabalho) e também a nossa resistência mental.

Pensando nisso que Tim Ferris sugere o planejamento de miniaposentadorias no decorrer da sua vida, assim é possível trabalhar mantendo a eficiência e descansar tempo suficiente para uma nova jornada de foco.

“Alternar períodos de descanso e de atividade é fundamental para sobreviver”

O autor dá o seu próprio planejamento pessoal como exemplo, Tim Ferris planeja um mês de miniaposentadoria onde passeia para algum lugar do mundo ou faz um treinamento de alta intensidade como dança ou luta, para cada dois meses de trabalho. 

No meu caso, eu trabalho todo mês para ganhar dois meses de vida. Todo mês de salário que eu ganho, me dá a possibilidade de tirar um mês de férias. Eu amo esse conceito, porque, no limite, o trabalho é motivado pela liberdade de pagar o meu mês corrente e mais um mês de liberdade. 

2. Menos trabalho não significa preguiça.

“Fazer menos trabalho inútil, de modo que possa focar em coisas de importância maior para você NÃO é preguiça”

Nessa parte do livro Ferris fala sobre como as pessoas esquecem da produtividade pessoal, não é porque alguém trabalha muito que é produtivo o suficiente. Os Novos Ricos por exemplo trabalham menos horas e rendem muito mais do que alguém com uma jornada de oitos horas diárias. 

“Foque-se em ser produtivo em vez de focar-se em estar ocupado”

4. A noção que se tem do tempo nunca está correta.

“Para as coisas mais importantes, nunca temos certeza se há a hora certa”

Nós nunca nos acharemos prontos o suficiente para realizar o que julgamos importante, por isso é preciso não esperar sempre pelo momento certo pois muito possivelmente ele nunca irá existir.

Outras regras importantes que Tim Ferris descreve no livro são:

  • Peça perdão, não permissão.
  • Enfatize os pontos fortes, em vez de corrigir as fraquezas.
  • Coisas em excesso tornam-se o oposto.

“O Projeto de Vida não é, portanto, voltado para criar um excesso de tempo livre que é venenoso, mas sim para um uso positivo do tempo livre, definido simplesmente como fazer aquilo que você quer, em oposição a fazer aquilo a que você se sente obrigado”

  • Só dinheiro não é a solução.
  • Renda relativa é mais importante do que renda absoluta.
  • Estresse é ruim, eustresse é bom.

“Eustresses são estresses que são saudáveis e também são estímulos para o nosso crescimento”

Vencer o medo = Definir o medo

Em grande parte do tempo nos auto-boicotamos como o medo de algo dar errado ou até mesmo com o medo de dar certo e não sabermos lidar com o novo.

“Incertezas e a possibilidade de falhar podem ser bastante assustadoras”

O Tim explica uma ferramenta que ele usou para ele mesmo para explicar como conseguiu parar de pensar em tudo que poderia dar errado no seu negócio e no plano de viver viajando. 

Ele fez uma escala de 1 a 10, sendo 1 nenhum impacto ruim e 10 uma mudança permanente de vida. Com isso, ele analisou todas as possibilidades do que poderia acontecer de ruim na vida dele e como isso poderia mudar completamente o seu destino.

E, na maioria dos cenários analisados, ele teria apenas um impacto negativo temporário (na escala de 1 e 10, a maioria dos cenários recebia uma nota 3 ou 4). 

Ou seja, valia a pena arriscar, porque o pior cenário não causaria uma mudança negativa tão significante para acabar com a vida dele. Logo, não tem por que ter medo de tentar.

Concordo muito com esse ponto aqui, algumas mudanças na nossa vida não tem a capacidade de mudar o que somos. Boa parte do que nós faz valer hoje o que valemos em qualquer empresa está em nós.

Muito difícil que uma mudança que você faça te transforme para sempre, ou faça que você nunca tenha novamente uma oportunidade que você deixou pra trás em algum momento.

Se você já conquistou, é mais difícil perder. Isso não significa que a gente não tenha que ter juízo.

Fazer o que não é realista é mais fácil do que fazer o que é realista

É esse um dos ensinamentos que Tim Ferris tenta ensinar com o livro, para o autor é muito mais fácil conquistar algo que a maioria julga inalcançável do que tentar o padrão.
Quando temos um grande objetivo isso nos instiga a resolver os problemas necessários para alcançá-lo. 

A questão é que a maioria das pessoas não sabe o que quer, ficamos perdidos quando nos perguntam algo parecido e isso gera uma série de reflexões e confusão. 

“A questão que você deveria se fazer não é O que eu quero? ou Quais são meus objetivos?, mas sim O que me empolga fazer?”

Sobre motivação tenho um exemplo que eu gosto muito. Eu lembro de quando precisava estudar para o vestibular e eu não sentia vontade alguma para.

Eu não sabia lidar com esse desconforto, porque não estava claro o motivo pelo qual eu estava estudando. Um dia, comecei a fazer 10 minutos de mentalização e me imaginava na universidade federal, fazendo cinema, produzindo filmes e essa ideia me empolgava e me estimulava a estudar. 

Saber o que se quer é tudo. Porém, talvez seja a parte mais foda da sua jornada de descoberta e talvez essa jornada não tenha um fim. Como você pode notar, eu não estou trabalhando com cinema. Minha direção mudou, e tudo bem. 

Depois de saber a direção, ou de ter pelo menos alguma ideia, aí sim sugiro aplicar processo usado pelos Novos Ricos, que o Tim descreve no livro, que é bem parecido com o processo de estabelecer objetivos:

  1. Os objetivos passam de desejos ambíguos para passos definidos.
  2. Os objetivos precisam ser não realistas para serem eficazes.
  3. Foca em atividades que preencherão o vazio criado quando o trabalho é removido. Viver como um milionário requer fazer coisas interessantes e não apenas possuir coisas valiosas.

E de Eliminação

Como eliminar tarefas desnecessárias, economizar o seu tempo, ser mais eficiente, focar no que realmente importa e aprender a dizer não para tudo aquilo que atrapalhe a sua produtividade.

No capítulo E de Eliminação, Tim Ferris fala de algumas práticas que ele mesmo adotou para conseguir eliminar distrações e aumentar sua produtividade pessoal em 100%.

“Eficácia é fazer uma determinada tarefa (seja importante ou não) da forma mais econômica possível”

E como identificar o que está roubando o seu tempo e te deixando cada vez mais improdutivo? 

Segundo Ferris devemos aplicar duas perguntas básicas para descobrir isso:

  1. Quais os 20% de causas responsáveis por 80% dos meus problemas e de minha infelicidade?
  2. Quais 20% de causas responsáveis por 80% dos meus resultados positivos e de minha felicidade?

No exemplo de sua própria empresa, Tim Ferris descobriu que apenas 5% de seus clientes gerava a maior parte de sua renda e outros 95% tomavam mais o seu tempo do que lhe dava lucro.

“Mais clientes não são o objetivo e normalmente trazem 90% mais trabalho e meros 1% a 3% de acréscimo na receita. Não se engane, o objetivo primário é obter receita máxima com o menor esforço necessário (incluindo menor número possível de clientes)”

A ideia é identificar o que te gera maior receita com menor trabalho e focar nisso usando algumas técnicas de produtividade que te darão mais tempo livre.

Por exemplo, quando se reduz a quantidade de tempo trabalhando fica mais fácil manter o foco apenas em tarefas importantes, eliminando distrações ao longo do dia.

Outra dica importante, que pode parecer incômoda e até mesmo mal educada no início, é a que gastamos tempo demais com pessoas que só nos atrapalham. 

Aprender a falar não para as pessoas pode parecer impossível no começo, mas segundo Tim Ferris, isso te manterá afastado de gente que só ocupa o seu tempo com coisas desnecessárias.

Não são necessários números exatos para perceber que passamos muito tempo com pessoas que nos envenenam com pessimismo, preguiça e baixas expectativas em relação a elas mesmas e ao mundo”

Pela minha experiência, mudar meu círculo de relacionamento e de clientes melhorou minha vida 300%. A parte financeira não acompanhou. Perdi alguma grana, principalmente porque não sabia fazer essa seleção de pessoas ao meu redor antes. 

Tempo livre para produzir é a maior riqueza que você pode ter.

Não desperdice com pessoas e projetos que não valem a pena, ou nos quais você não sabe como contribuir. É melhor tomar decisões difíceis para ter uma vida mais fácil do que tomar decisões fáceis e ter uma vida difícil. 

Cultivando ignorância seletiva 

Talvez essa seja a mais estranha dica para manter sua produtividade e ter mais tempo livre. 

Tim Ferris explica que o excesso de informação só rouba o seu tempo e que na grande maioria das vezes não acontece nada de grave ou muito importante que você precise saber. 

Não assistir noticiários, não navegar em sites de notícias, não ler o jornal, são apenas algumas das dicas que o autor dá para cultivar a ignorância seletiva ou como ele descreve no livro “uma dieta pobre em informações”. 

Entre um manual de como aprender a ler mais rápido e histórias de como escolheu seu candidato nas últimas eleições presidenciais, Tim Ferris sugere adquirir menos informações desnecessárias e usar o tempo livre para ficar com a família, por exemplo.

Partindo da premissa e do velho ditado “tempo é dinheiro”, em Trabalhe 4 horas por semana, é possível adquirir técnicas que facilitarão a sua produtividade e deixarão seu dia mais fluído.

Programar respostas automáticas no e-mail com informações diretas, explicativas e que evitem uma troca de mensagens intermináveis.

Delegar funções que não precisem da sua aprovação constante e dar liberdade para seus funcionários resolverem problemas.

Na minha empresa e nos meus projetos, ao máximo, dou autonomia para as pessoas. E já falhei muito por tornar muitas tarefas dependentes de uma opinião ou revisão minha – e ainda faço isso, com menos frequência. Delegar tarefas e selecionar o que você vai ler é difícil, mas recompensador. 

Para mim tem sido um processo longo, com pequenos passos diários. Se não gosto de postagem no instagram daquela pessoa qual é a razão de eu seguir a pessoa? Se o crush não responde, qual a razão de insistir? Se o conteúdo me deixa ansioso, qual é o motivo de estar lendo?

Toda vez que me sinto atingido negativamente avalio se aquilo deveria estar na minha vida ou não. E 80% das vezes, o que me faz decidir entre tirar algo da minha vida ou não é a intensidade e a frequência que o evento negativo acontece. Se acontece em intensidade e frequência altas, eu elimino. 

A de Automação

Com três assistentes virtuais indianas, Tim Ferris leva a sua vida da forma mais prática possível que o serviço de automação permite.

É de conhecimento geral que trabalhadores indianos fazem um serviço por muito menos que qualquer outro trabalhador no mundo ocidental e Ferris sugere que você comece a testar seus dons para delegar tarefas, exatamente por eles.

Uma das habilidades mais importantes para se tornar um Novo Rico é aprender a fazer um gerenciamento remoto focado na comunicação ou como diz no livro “aprender como ser o chefe”.

A ideia central de Trabalhe 4 horas por semana, é que você seja capaz de construir um sistema que te substitua. 

“É absolutamente necessário que você entenda que sempre poderá fazer algo mais barato se fizer você mesmo. Isso não significa que você queira gastar o seu tempo fazendo”

Tempo é dinheiro e quanto mais tempo livre você tiver, mais valioso será o seu tempo. Um dos ensinamentos de Tim Ferris é: “nunca automatize nada que possa ser eliminado, e nunca delegue algo que possa ser automatizado ou dinamizado”.

Eu também terceirizo muito trabalho, mas trabalho que eu não faço bem. Porém, não gosto da lógica do Tim liberar tempo dele e privar a liberdade de tempo das outras pessoas. 

Geralmente quando trabalho com pessoas do exterior, não faço isso porque elas são mais baratas, o faço porque elas têm uma educação superior naquela tarefa.

Na Rússia, por exemplo, encontrei muitos designers bons e que realmente dominam muitas disciplinas dentro das artes, e isso é fantástico. Eles são mais versáteis que os brasileiros, porque educação artística na Rússia vem desde o ensino básico. 

Não concordo com essa lógica de que há um chefe. Se você é chefe, você é dono do tempo do outro, logo quem trabalha para você não pode mais ser empreendedor de si e ser livre também. 

Encontrar a musa

Encontrar a musa nada mais é do que encontrar ou criar algo que te faça ter uma boa demanda e consequentemente uma boa renda. A musa precisa ocupar pouco tempo para ser criada, testada e enfim colocada em prática, mas a principal dica é:

“Não crie um produto ou serviço antes de encontrar alguém que o procure”

No processo de pesquisa para encontrar a musa, Ferris dá outra dica importante falando que é mais vantajoso inventar um produto do que investir em produtos.

Existem várias formas de viver da renda de um produto, como por exemplo revender um produto ou licenciar um produto, mas Ferris deixa claro no livro que, criar um produto pode ser a chave do seu sucesso.

“A moral da história é que intuição e experiência são péssimos conselheiros sobre quais produtos e negócios serão lucrativos”

No Brasil é MUITO DIFÍCIL criar um produto físicos. Os nossos impostos, leis e logística beneficiam muito mais a criação de produtos online: cursos, aplicativos, conteúdo e serviços.

Pela minha experiência é muito mais fácil encontrar sua Musa no Brasil dentro desse espectro online. Isso pode parecer óbvio, porém no livro, Tim Ferris fala bastante de e-commerce, que é algo muito mais viável nos Estados Unidos que no Brasil.  

L de Liberação

Depois de contar sobre a sua trajetória de vida, ensinar como ser mais produtivo, ter mais tempo livre, dar dicas para automação e gerenciamento remoto, e te ajudar a criar uma musa, por fim Tim Ferris fecha todos esses passos com o capítulo L de Liberação.

Aqui ele dá exemplos de como todo esse sonho de trabalhar menos pode ser viável até mesmo para quem não quer deixar o seu emprego e criar um produto de sucesso, o objetivo é conseguir mais tempo mesmo que você precise enfrentar o seu chefe para isso – mesmo que sua empresa não tenha uma cultura remota.

Focar ao máximo na produtividade quando estiver fazendo trabalho remoto. Esse ponto é essencial para que seu chefe perceba que seu rendimento é maior quando está fora da empresa. 

  • Aumentar o investimento de tempo no seu trabalho atual
  • Provar o aumento dos resultados remotos para o seu chefe
  • Propor um período revogável de testes de trabalho remoto
  • Aumentar o tempo remoto aos poucos

Usando esses passos gradativamente é praticamente certo que seu trabalho remoto dará certo e seu chefe aceitará sem grandes problemas.

Miniaposentadorias

Tim Ferris fala desde o começo do livro Trabalhe 4 horas semanais sobre as miniaposentadorias, que na realidade é você esquecer aquelas férias corridas que sempre te deixam mais cansado ainda e substituí-las pelas miniaposentadorias. 

O autor julga que o importante aqui é aprender a diminuir o ritmo e viajar de uma forma totalmente diferente do padrão. Eu conecto esse conceito com o slow-travel. 

Geralmente fico de dois a três meses em cada cidade (em um país novo). Isso me permite ter uma rotina normal, igual a de todo mundo, e também me permite tirar alguns dias off (miniaposentadorias) e curtir o país que estou. 

Realidades financeira: as coisas só melhoram

Um dos principais fatores que fazem as pessoas desistirem de uma vida nômade é a parte financeira, mas Ferris mostra que é possível gastar a mesma quantia em um hotel a beira mar de uma ilha na Tailândia, que você gastaria mantendo um apartamento entulhado de coisas que você nem se quer usa.

Sim, isso é verdade! Mas ao mesmo tempo dá pra gastar mais também. 

“há centenas de coisas em sua casa e em sua vida que você não usa, não precisa nem particularmente quer”

Em algumas entrevistas com nômades para escrever o livro, Tim Ferris relata que a principal dica deles foi: “leve o menos possível”.

Eu não concordo com a lógica “leve o menos possível”, prefiro adaptar isso “leve apenas o suficiente”. O minimalismo não foi idealizado para te tornar um miserável que sente falta de coisas básicas. O minimalismo é focado em tirar da sua vida tudo que não é importante. E tem uma diferença enorme entre esses dois conceitos. 

Eu carrego um pequeno violão comigo (vulgo guitalele), porque não consigo viver sem isso. Mas eu não comecei a viver viajando com um violãozinho na mão. Vivi sem tempo suficiente para entender que não dava pra abrir mão: fui lá e comprei.

Preenchendo o vazio

“Tenho mais dinheiro e mais tempo do que sempre achei possível ter…

Por que estou deprimido?”

Essa é a principal pergunta que vem na cabeça de quem adota uma vida nômade. Depois de seguir todos os passos, conquistar mais tempo livre e enfim poder executar o seu trabalho remoto de qualquer lugar do mundo, o nômade se pega entediado e sem saber o que fazer com tanto tempo livre.

“Mas isso é o que eu sempre quis! Como posso estar entediado?”

É normal se sentir entediado e nunca satisfeito com a vida que está levando, mesmo isso sendo o que você sempre quis, por isso Ferris explica no livro que um dos fatores principais para essa angústia é o “isolamento social”

Se você não ocupa o seu tempo livre com coisas que realmente deseja fazer e que te deem prazer, o isolamento social acaba te assolando cedo ou tarde. 

“Essas dúvidas invadem a mente quando não há nada a ocupá-la, Pense em uma hora em que você se sinta 100% vivo e concentrado. É provável que seja uma hora em que você tenha estado completamente focado em algo externo: algo ou alguém. Esporte e sexo são dois grandes exemplos.”

Tim Ferris te desafia a descobrir o que te faz mais feliz fora do trabalho, talvez aprender um idioma novo, fazer aula de dança, canto ou até mesmo um esporte que sempre desejou fazer mas sempre adiava. 

Quando está focado em algo apenas por prazer e vontade própria, os questionamentos e o tédio desaparecem gradativamente.

“Alguns criticam o foco no amor-próprio e na curtição como egoísta, ou hedonista, mas não é nada disso”

Os 13 principais erros dos Novos Ricos

Por fim Ferris cita os 13 principais erros dos Novos Ricos para que você fique atento a não cair em um deles.

Vou colocar aqui alguns deles que talvez você como um bom nômade digital já tenha caído:

  • Perder os sonhos de vista e cair no trabalho pelo trabalho.
  • Trabalhar onde você mora, dorme ou deveria descansar.
  • Buscar a perfeição infinita em vez de buscar o “ótimo” ou simplesmente o “bom o bastante”, seja em sua vida pessoal ou sua vida profissional.
  • Tornar urgentes tarefas que não possuem prazo para justificar o trabalho.
  • Ignorar as recompensas sociais da vida.

Bem, esse é meu resumo.

Quero ler seu comentário e continuar as discussões sobre esse livro aqui nos comentários!

3 Comments
  1. Paula Bauab

    Eu ADOREI!!! Várias coisas me chamaram atenção e deram um tapinha na cara também. Essa última semana ta rolando aqui um esforço pra ser uma humana mais social ou pelo menos ttrabalhar um pouco fora de casa :P Grande abraço

  2. jefferson

    Muito foda a ideia de resumir esse livro, esse livro foi um divisor de águas na minha vida, depois de lê-lo minha percepção sobre trabalho mudou bastante, concordo em muitos pontos mas muita coisa também tem foco na realidade americana ou de países desenvolvidos. Depois de ler o resumo várias ideias ficaram cristalinas pra mim, atualmente cometo um erro na minha organização de vida nômade, levei tão a sério a questão da otimização do tempo que o tédio está me corroendo por dentro, trabalho entre 2 a 5 horas por dia, o restante do tempo acabo não fazendo nada, isso me causa uma angústia tremenda, pretendo dar mais atenção a essa questão e tentar me ocupar com alguma coisa. Uma outra questão que tem me assombrado é o isolamento social, quando se vive uma vida móvel é quase impossível criar raízes e amizades mais densas, sempre se tem a sensação de não pertencimento ao lugar onde se está vivendo. Beijo no metacarpo esquerdo Lucovsky!

  3. Mário Soares

    Amei o conteúdo Lucas.

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